15/12/2015
Consciência Política
Por Francisco das Chagas.


Diante de tantas notícias e do frisson do rádio, tv e internet, da inundação de comentários e opiniões sobre política, da maneira como um único fato é passado ao povo brasileiro de várias maneiras (algumas vezes de maneira sórdida diga-se de passagem) nos fazem perguntar agora, no apagar das luzes de 2015, o que é consciência política?

Será essa tal consciência política uma maneira de justificarmos a nós mesmos o jeito como votamos? Ou será essa tal consciência política uma forma ou razão que na verdade nunca chegamos a conhecer? Onde erramos? Onde nos perdemos? O que fizemos que não deveríamos ter feito? Por que parece tão difícil consertar as coisas?

Diante destes intrigantes questionamentos, começamos a pensar nas respostas. E agora de maneira mais calma, serena e tranquilos, podemos analisar que certamente grande parte da culpa por toda a sujeirada que acontece em Brasília inevitavelmente é nossa também. O que faltou? Consciência política, foi o que faltou. Mas o que é esta tal de consciência política?

Atrevo-me a dizer, que é a maneira como agimos e reagimos a nossa política. A maneira como conduzimos as nossas vidas. A maneira como pensamos no país que queremos deixar para a nossa descendência, a maneira como realizamos as nossas opções, maneiras, maneiras e maneiras.

Muitas vezes nos deixamos nos envolver por discursos inflamados, por bravatas emocionais e por atos tresloucados que mexem com nossos sentimentos. Pessoas absolutamente envolventes, com discursos afiados e sem nenhuma qualidade política ou pior, sem nenhuma serventia para a política, que apenas estão lá por que são um rostinho bonito, ou por que apareceram em um programa de televisão, ou tiveram seus quinze minutos de fama.

Essas pessoas estão dirigindo ou de certa forma influenciando o futuro do nosso país. E fomos nós que as colocamos lá, de forma direta ou indireta. Os “puxadores de votos” como são conhecidos, muitos deles, sem nenhuma expressão dentro da política, apenas atrapalham os poucos que querem fazer alguma coisa. Servem na verdade apenas para serem manipulados e aparecerem nos programas de humor semanais.

Consciência política é participar ativamente das escolhas dos políticos do nosso país. É escolher por qualidade técnica, e não por que simplesmente ele é o “patrão que paga o meu salário”, é cobrar e constranger quando faz algo errado ou quando não faz o que devia. É punir com a urna, quem desrespeita o voto sagrado. É fazer panelaço, é ir para as ruas, é pesquisar o mesmo no livro digital da vida e conferir quantos processos o mesmo responde. É exigir o cumprimento da lei, é apertar e jogar o mesmo na parede sobre questões polêmicas antes de eleito, é votar por que acredita-se que o seu trabalho possa fazer alguma diferença, e não por que é apenas mais um. Consciência política é acima de tudo respeitar as normas constitucionais, o rito, a ordem.

Tudo isso, é culpa nossa, tudo isso é nossa culpa. Poderíamos saber destas coisas antes de tudo isso acontecer? Poderíamos ter descoberto todas estas lambanças antes da barragem estourar com todos os rejeitos podres e fétidos? Bem, os indícios estavam aí, bastava que nós tirássemos os olhos da tv por um instante, deixasse o “pão e o circo”   de lado, parássemos de chorar ao término repentino do hino nacional nos jogos da Seleção Brasileira na copa do mundo, de nos indignarmos com os 7x1. Estava na nossa cara, estava diante dos nossos olhos, a um clique, mas ainda assim, nós pagamos para ver.

Quanto mais, as demais respostas dos demais questionamentos, precisam ser digeridas, compreendidas e mensuradas, devagar, pois o santo é de barro.


Francisco das Chagas L. da Silva é Contabilista,
empresário contábil, acadêmico do curso de
Direito pela Faculdade FARO e desenvolve
trabalho de Assessoria contábil em Sindicatos e
Associações privadas.

 

Fonte: Francisco das Chagas