06/06/2018
Fluxo piroclástico: entenda o fenômeno que tornou mortífera a erupção de vulcão na Guatemala
No domingo, o Vulcão de Fogo, que fica a 3.763 metros de altura, situado a cerca de 50 km da capital, teve a sua mais forte erupção desde 1974. Mais de 3 mil tiveram que deixar suas casas e 1,7 milhão de pessoas foram afetadas.
O que as quase 70 pessoas que morreram devido à erupção do Vulcão de Fogo, na Guatemala, e os habitantes da antiga cidade italiana de Pompeia, que viviam no ano 79 d.C. e acabaram dizimados pela erupção do Vesúvio, têm em comum? Elas foram vítimas de um fenômeno chamado fluxo piroclástico, que acrescenta um efeito devastador às erupções vulcânicas.

Recentemente, um esqueleto fossilizado foi descoberto na Itália. Um homem que possivelmente tentava escapar da erupção do Monte Vesúvio no ano 79 d.C., mas acabou atingido por uma pedra. Na época, a atividade do vulcão acabou matando muitos moradores, mas não devido à lava: uma forte nuvem de gás quente e fragmentos de pedra atingiu a cidade.

O fluxo piroclástico se formou na tragédia que destruiu Pompeia, e ocorreu também no caso guatemalteco. Em entrevista à "Newsweek", Tamsin Mather, professor da Universidade de Oxford, explicou que a erupção deste domingo (3) na Guatemala foi uma das mais violentas em décadas.

"No Vulcão de Fogo, a devastação principal ocorreu devido aos fluxos piroclásticos", disse à revista. "É muito diferente de um fluxo de lava. Os fluxos piroclásticos são uma mistura de gás quente com matéria vulcânica, cinzas e fragmentos de rocha. São incrivelmente quentes e podem ser arremessados mais rápido que um carro em movimento, em alguns casos".

De acordo com Mather, o vulcão da Guatemala apresentou uma atividade diferente do Kilauea, que atingiu o Havaí em maio passado. Lá, os fluxos eram mais lentos, com fissuras que expeliam lava. A "rocha líquida", segundo o pesquisador, se move mais devagar e garante que as cidades sejam evacuadas. Por isso, os Estados Unidos conseguiram retirar 1,7 mil pessoas de suas casas antes que fossem atingidas.

Na Guatemala há um risco adicional nestes dias após a erupção: se chover muito, o material vulcânico pode formar perigosas avalanches de lama, conhecidas como lahar.

Mais forte em 44 anos

O número de desaparecidos devido à erupção do Vulcão do Fogo ainda não foi fechado. Por enquanto, as equipes de resgate seguem as buscas na região e pelo menos 69 pessoas foram mortas – 17 vítimas foram identificadas.

"Vamos seguir até encontrarmos a última vítima, embora não saibamos o número de vítimas. Vamos revisar a região quantas vezes for necessário", afirmou o diretor da Coordenadoria para a Redução de Desastres (Conred), Sergio Cabañas.

No domingo, o Vulcão de Fogo, que fica a 3.763 metros de altura, situado a cerca de 50 km da capital, teve a sua mais forte erupção desde 1974. Mais de 3 mil tiveram que deixar suas casas e 1,7 milhão de pessoas foram afetadas. Os departamentos de Sacatepéquez, Chimaltenango e Escuintla foram os mais atingidos.

O Instituto de Sismologia guatemalteco anunciou que o vulcão está voltando à atividade normal, mas advertiu que as ravinas de até 80 metros de profundidade (espécie de sulco provocado por erosão) estão cheias de matéria vulcânica. Por isso, não se exclui a ocorrência de uma nova erupção, de acordo com a Deutsche Welle.

A cinza lançada pelo monte atingiu os 10.000 metros de altura acima do nível do mar e cobriu várias cidades. As imagens exibidas na televisão e divulgadas nas redes sociais mostram corpos no chão, assim como veículos e casas destruídos pela erupção.




 

Fonte: G1. Foto: Luis Echeverria/Reuters