14/03/2018
Sem acordo, sindicato diz que governo Confúcio demonstra falta de compromisso com a educação
Depois de dizer que os professores têm que “trabalhar por amor à vocação”, Emerson Castro disse que o governo pretende continuar pagando a licença-prêmio em pecúnia, continuaria pagando as progressões funcionais e que o estado estaria disposto a pagar complemento do piso nacional.
Na segunda-feira (12) o secretário Chefe da Casa Civil, Emerson Castro, enviou ofício ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintero)  convidando para audiência nesta terça-feira (13) às 11 horas e informando que anunciaria uma proposta para atender às reivindicações dos trabalhadores em educação, em greve desde o dia 21/02.

Na audiência, o sindicato diz que a  "Administração do governador Confúcio Moura (MDB) demonstrou que não possui compromisso com a educação, ao tratar com descaso os representantes da categoria."

A audiência da Diretoria do Sintero com os integrantes da Mesa de Negociação Permanente (MENP) passou de expectativa a decepção e indignação em menos de 20 minutos.

De acordo com o Sintero a  falta de respeito começou com o “chá de banco”. Depois de uma hora de espera o ex-vice-prefeito e atual Chefe da Casa Civil, Emerson Castro, acompanhado dos secretários George Braga (Sepog), Vagner Garcia de Freitas (Sefin), Florisvaldo Alves da Silva (Seduc) e de alguns assessores, apenas reiterou a falta de proposta que já havia demonstrado em todas as reuniões anteriores.

Depois de dizer que os professores têm que “trabalhar por amor à vocação”, ele apenas disse que o governo pretende continuar pagando a licença-prêmio em pecúnia (obrigação prevista em lei e objeto de reivindicações de anos anteriores), que continuaria pagando as progressões funcionais (direito previsto em lei e objeto de mobilizações de anos anteriores), e que o estado estaria disposto a pagar complemento do piso nacional (em desobediência à Lei federal nº 11.738/2008).

A resposta do governo durou em torno de 20 minutos, o suficiente para causar revolta e indignação à presidente do Sintero, Lionilda Simão, aos demais diretores da Executiva e aos diretores das Regionais que participaram da reunião.

A presidente do Sintero imediatamente respondeu ao secretário Emerson Castro que não considerava aquilo uma proposta, e sim uma afronta, um desrespeito.

“Esse governo está zombando da nossa cara. Vou receber esse pedaço de papel apenas para mostrar aos trabalhadores em educação o quanto a administração do governador Confúcio Moura nos trata com descaso. Mas não considero isso uma proposta”, disse em tom de indignação.

Ainda segundo o Sintero, o governo não tem cumprido a Lei Federal do piso do magistério desde 2014, e isso já é objeto de ação judicial, visto que os tribunais superiores têm reconhecido a obrigatoriedade do cumprimento da lei.

Os diretores do Sintero não aceitaram os argumentos do secretário e o enfrentaram com informações consistentes, demonstrando a falta de vontade política do governo do estado em atender às reivindicações.

Nesta quarta-feira, dia 14/03, haverá uma audiência na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, evento para o qual os secretários integrantes da MENP foram convocados.

Os diretores do Sintero vão pedir aos deputados estaduais para que apoiem a luta dos trabalhadores em educação cobrando do governador uma solução, já que os secretários da MENP demonstraram não ter interesse na situação.

Já na quinta-feira, dia 15/03, os trabalhadores em educação se reunirão em assembleias, às 9 horas da manhã, simultaneamente em todas as Regionais, para avaliar a postura do governo e deliberar sobre estratégias de luta.








 

Fonte: Sintero