16/02/2016
Mas afinal de contas, o que está acontecendo? - Parte I
Por Francisco das Chagas.
Finalmente, o ano civil se inicia, e agora o país começa a retomar sua rotina. As aulas começam, ou pelo menos deveriam. O comércio tenta colocar sua cabeça para fora dessa onda que sufoca chamada crise. Aliás, como todas as ondas, uma vai e outra vem, sem dar tempo muitas vezes de uma longa respirada.

Mas como começou esta crise? Onde foi que a coisa desandou? Estamos vivendo um reflexo de uma crise global? Estamos pagando por algum erro de escolha e estratégia? O que os outros países fizeram para superar e se superaram? O que lhes custaram? Quais as ferramentas?

São muitas perguntas, talvez as respostas não sejam tão animadoras. Mas vamos analisar, mesmo que superficialmente algumas informações, e daí sim, poderemos observar com mais cuidado o porquê destes momentos tão sombrios e duvidosos que pairam sobre o nosso país. Talvez fosse necessário se fazer um estudo profundo de macroeconomia combinado com ciência política.

Mas, como quem vos escreve não tem tal qualificação, bastemos olhar um pouco mais atentos a acontecimentos recentes, da nossa política, da nossa economia e em alguns casos até nas notícias policiais, para entendermos para que rumo está caminhando.
Começo citando os possíveis problemas basilares pelo qual o país vem cambaleando e tropeçando.

Em primeiro lugar, o país vive uma crise de DESCRÉDITO. Sim, uma descrença total por parte da sociedade civil organizada, das empresas que ao invés de reinvestir os lucros apurados fazem o saque aos bancos e transferem (em dólares) para seus países de origem toda a riqueza, que deveria continuar aqui, fazendo o Banco Central “encharcar” o país com dólares, esvaziando suas reservas que deveriam estar sendo guardadas para pagar juros da dívida externa. Uma descrença tamanha, que chega a beirar o ridículo da incompetência. O “sistema” econômico não confia em entregar o dinheiro nas mãos das pessoas que deveriam administrar. Esta desconfiança vem de bancos poderosos, de empresas multinacionais e de conglomerados que geram bilhões de reais em riquezas, riquezas estas que não ficam aqui. Em seguidas, as empresas que detém algum dinheiro em seus caixas, já não investem no país, com receio de prejuízos, e não estão nem aí se já estão em uma obra pela metade, ou se faz parte de um PAC da vida, as empresas se retraem, demitem, se encolhem e esperam por sinais de que a economia vá melhorar, de que a política macroeconômica vá reagir com audácia, de que as notícias na televisão e nas redes sociais possam ser favoráveis a continuação.

O descrédito aliás, parece muito com a história da esposa que gasta demais, não sabe de onde vem o dinheiro, mas fala para o marido: - Amor, me dá o cartão de crédito para eu ir ao Shopping, mas eu não vou usá-lo! – Ok… essa não cola, assim está o nosso governo, porém em escala nacional. Aí nessa conta entra legislativo, executivo e judiciário. Todos os três gastam além de suas receitas, compram o que não precisam, contratam por terem prometido, não sabem o que significam as palavras “Contenção de despesas”, não sabem o que são prioridades, pelo jeito, não sabem nem o que significa a palavra descrédito. Pois apesar de toda incompetência latente, ainda aparecem nos noticiários dizendo coisas que não existem e que está tudo muito bem. Bem poderíamos ficar aqui neste primeiro tema semanas, argumentando o descrédito, mas bola pra frente.

Em segundo lugar, mas não menos importante, vem a CORRUPÇÃO. Esta poderia até estar em primeiro lugar sem pestanejar, mas por argumentação filosófica e científica, esta vem em seguida. De acordo com a matéria publicada no site Estado de Minas  no ano de 2013, antes mesmo da operação Lava Jato e afins estourarem, estima-se, através de dados científicos que aproximadamente 1 trilhão de reais deixa de chegar ao seu destino. Com certeza, este valor já está mais do que corrigido pelo andar da carruagem até aqui. Isso demonstra claramente, a ineficiência das nossas leis perante o crime de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, evasão de divisas, crime contra o patrimônio público no nosso país. Isso prova, que ao pé em que está nossa legislação em relação a isso, o crime só pode compensar. Vamos a um exemplo prático; uma secretaria do estado de RO que possui 461 cargos comissionados, (dados de 2013, via portal da transparência) onde recentemente fora realizado concurso público para provimento de vagas em caráter emergencial? Isso é corrupção! Me perdoe os servidores, estes, com certeza trabalhadores e chefes de famílias, mas isso não está certo, não há merecimento, não há necessidade, existe aí uma lei de responsabilidade fiscal que precisa ser cumprida, e não é assim. Chamar o concursado, é apostar na educação (que é o terceiro motivo deste artigo.), é apostar na prata da casa. Exemplo número dois; Uma empresa que não tem sede, é apenas uma pasta de papéis embaixo do braço de alguém ganhar uma LICITAÇÃO; Pelo amor de Deus! Isso é muita ingenuidade dos órgãos competentes que contratam, e claro, CORRUPÇÃO também. Exemplo número três; Trabalhador que é demitido e recebe o seguro desemprego e continua trabalhando, esta é clássica e custou caro, e também é CORRUPÇÃO. Pra resumir, CORRUPÇÃO deveria se tornar crime hediondo, e nisso vai o meu total apoio a campanha das 10 MEDIDAS CONTRA A CORRUPÇÃO, realizada pelo Ministério Público Federal . Todas as pessoas de má índole que um dia pensarem em praticar algum ato corrupto em suas vidas, precisariam ter certeza de que não valeria a pena. Pois como um crime hediondo, a pena seria mais severa e a máxima de que o crime não compensa seria verdade. A corrupção, mata o país em que vivemos tornando a vida de muitos, difícil e penosa.

Este artigo, continua…
 
 
Francisco das Chagas L. da Silva é Contabilista,
empresário contábil, acadêmico do curso de
Direito pela Faculdade FARO e desenvolve
trabalho de Assessoria contábil em Sindicatos e
Associações privadas.
 


 

Fonte: Francisco das Chagas