12/02/2016
O problema não é o PT, mas a campanha de ódio contra o partido…
RETICÊNCIAS POLÍTICAS… – Por Itamar Ferreira

… respeitado colunista local, em artigo recente, baseou-se em outro artigo da lavra deste incipiente colunista para decretar categoricamente que “O problema não é Orleans, mas o PT”, no qual ele conclui que o partido da estrela vermelha seria carta fora do baralho nas próximas eleições. Acredito que tal conclusão se baseia mais no desejo daquele escriba do que nos fatos da realidade política.

O PT em geral e Lula em particular estão sofrendo uma feroz perseguição dos barões da mídia e dos setores mais elitizados, que fazem uma verdadeira campanha para infundir um sentimento de ódio contra o partido, enquanto poupa as demais legendas igualmente envolvidas em corrupção, como é o caso de Aécio Neves do PSDB, citado quatro vezes na Lava Jato, e de Eduardo Cunha do PMDB, provado e comprovado como corrupto. Com isso, os chamados “coxinhas” nas redes sociais e colunistas alinhados reproduzem os ataques à exaustão.

Entretanto, o povo não é bobo e diferente do passado agora tem acesso a outras fontes de informações, como as redes sociais, e diferente de outrora esse poderio midiático é relativo, como já se provou nas eleições de 2010 no auge do mensalão e de 2014 já sob a égide do chamado Petrolão que se iniciou março de 2014. Para desgosto, desespero e ódio dos que pregam o fim do PT, o partido e Lula tem se mostrado “materiais resilientes”, capazes de resistir a todo tipo do bombardeio e voltar ao seu estado natural, que é ser aprovado pela maioria do povo.

O eleitor, diferente do que prega aquele colunista alinhado, sabe que não há nenhum partido importante que não tenha graves problemas de corrupção, aliás não só partidos mas todas as organizações humanas, não se poupando nem as igrejas de todas as denominações. Ao povão não escapa o evidente cinismo e hipocrisia daqueles que falam em “pau de galinheiro”, mas não coloca neste “pau” o roubo da merenda escolar e do Trensalão em São Paulo; as viagens pro Rio de Janeiro, o aeroporto de Cláudio, casamento pago por banqueiro da Lava Jato, ligações com o helicóptero da cocaína, a lista de Furnas, dentre outras mazelas, de Aécio Neves.

O PT cometeu erros? Teve membros envolvidos em ilícitos? Com certeza! Mas apontem um partido de alguma importância que não tenha as mesmas mazelas? Na verdade o ódio contra o PT não é pelos seus erros, que todos os outros partidos comentem, mas pelo fato do projeto do Partido ter priorizado os mais pobres e excluídos com inúmeras políticas de inclusão social mundialmente reconhecidas; como o bolsa família, minha casa minha vida, luz para todos, Prouni, cotas para alunos de escolas públicas em universidades públicas, direitos trabalhistas para empregadas domésticas; além de pobres comprando moto, carro e viajando de avião. Isso é insuportável para os ricos, “coxinhas” raivosos e colunistas alinhados com establishment.

Para desespero dos que já acendem velas para o funeral do PT, recente pesquisa mostra que os candidatos a prefeito em São Paulo ligados a Lula estão na frente dos ligados ao PSDB. É bom lembrar que em 2006 o então senador Jorge Bornhausen (PFL-DEM), antes da reeleição de Lula, declarou: “vamos acabar com essa raça. Vamos nos livrar dessa raça por, pelo menos, 30 anos”. Depois disso o PT ganhou três eleições presidenciais seguidas, aumentou o número de parlamentares e prefeitos. Essa raça tem raça e não é fácil acabar com ela.

Quanto a citação infeliz sobre a Operação Higéia da Polícia Federal e um secretário de estado, não tenho procuração para defender este, mas diante de uma insinuação tão infamante e injusta não poderia deixar de citar que o mesmo foi vítima de um grave erro policial; sendo que a PF/MT emitiu documento em que “atesta que em relação a operação Higéia o secretário não foi indiciado criminalmente e nem responde nenhum inquérito policial”. Logo, qualquer insinuação sobre tal fato só se pode reputar à desinformação ou à má-fé.



(*) Itamar Ferreira é bancário, sindicalista, presidente da CUT, formado em administração de empresas e pós graduado em metodologia do ensino pela UNIR e acadêmico de direito da FARO.




 



Fonte: Itamar Ferreira