05/06/2017
Fotógrafa cria projeto de fotografia para mostrar beleza feminina sem Photoshop
Essa foi a ideia da cuiabana Rafaella Zanol quando criou o projeto ‘Sou o que desejo’, no mês da mulher de 2017. Fotógrafa profissional desde agosto de 2015, ela encontrou inspiração em um artista carioca após se decepcionar com a maior parte das ‘fotos sensuais’ que conhecia.
Mostrar a beleza natural da mulher, como ela é, sem edição das imperfeições no Photoshop. Essa foi a ideia da cuiabana Rafaella Zanol quando criou o projeto ‘Sou o que desejo’, no mês da mulher de 2017. Fotógrafa profissional desde agosto de 2015, ela encontrou inspiração em um artista carioca após se decepcionar com a maior parte das ‘fotos sensuais’ que conhecia.

“Já vi vários projetos de fotos sensuais e achava a maioria um tanto quanto vulgar e nada natural, nada que capturasse a essência da pessoa fotografada”, conta. “Conheci um trabalho de um fotógrafo no Rio de Janeiro, Gabriel Wickbold, todo em preto e branco e sem edição de photoshop e me apaixonei! Ele me inspirou! E eu quis fazer algo pelas mulheres comuns, normais, minhas amigas, conhecidas, sua amiga, você!”.

A primeira mulher fotografada por ela foi a amiga Daniela Renier, publicitária. “Liguei para ela e contei da minha ideia em detalhes, mostrei as fotos, a inspiração, e ela topou na hora”. Desde então, outras três mulheres também foram fotografadas: a bailarina e professora de dança Aline Fauth, a assessora jurídica e advogada Bárbara Lopes e a haitiana Najeda Redon, que sonha em ser modelo.

A ideia de Rafaella é unir as fotos do projeto e, daqui a um ano, fazer uma exposição em homenagem às mulheres. No entanto, ela explica que só divulga as imagens que a cliente autorizar. “Só é publicado o que a cliente autorizar! Caso ela deseje que nenhuma foto seja publicada, será respeitado”, explica. Se só algumas fotos forem liberadas, também. “Escolhemos juntas. Algumas são publicadas e outras são mantidas em sigilo”.

O trabalho da fotógrafa é, então, feito de acordo com o que a cliente deseja. O investimento nas fotos é de no mínimo R$350, e as sessões duram cerca de uma hora e meia. Dez dias após a sessão, Rafaella entrega 50 fotos de forma digital (ela pode indicar locais para imprimir a foto e fazer álbuns, se a cliente quiser, mas ela mesma não revela as imagens).

A produção das fotos também é de responsabilidade da cliente. Ou seja: maquiagem, cabelo, figurino e – se necessário – locação do local. “Participo na escolha dos figurinos, oriento como deve ser a maquiagem. Caso a cliente não queira usar make, não tem problema. Eu não quero criar uma personagem, quero mostrar quem ela é, de acordo com sua personalidade”, explica. “Não quero que você use salto se você não usa no seu dia a dia, por exemplo”. O local também é decidido em conjunto. “Tem gente que ama cidade, tem gente que ama a natureza... prefere o dia ou a noite... Tudo isso é alinhado, e criamos o ensaio juntas”.

Ao natural

Desde que começou a fotografar, Rafaella colocou como uma regra para si mesma que não usaria Photoshop. Essa convicção veio principalmente por conta de um episódio que passou em sua vida.

“Nunca vou me esquecer que quando me formei e fiz a foto oficial para o quadro de formatura, entregaram minha foto sem minha covinha e eu fiquei muito chateada. Perguntei para empresa por que fizeram isso, sem nem ao menos me perguntar se eu queria que tirasse algo do meu rosto, e a resposta foi: ah, eu achei que você não gostava dessa marca! Não gente! Pelo amor de Deus, eu amo minha covinha! Isso sou eu, é a minha marca no rosto pra sempre, jamais quero escondê-la!”, lembra. “Eles refizeram e entregaram a foto original. Desde então eu nunca quis nem aprender a editar fotos em Photoshop”.

Essa decisão já a levou até a perder algumas clientes, que não aceitavam as fotos com suas rugas, estrias ou gordurinhas. “Eu falo ok, tudo bem! Até porque eu não quero fazer parte da história de pessoas que não se assumem e se amam como são! Eu como fotógrafa tenho uma missão: te deixar linda como você é, usando técnicas com ângulos, poses, criatividade, luz adequada... Mas jamais irei manipular a realidade, criando uma cintura que não existe, tirando sua estria e celulite, deixando seu dente mais branco, mudando a cor dos seus olhos... enfim, nunca usei em foto nenhuma”.

Com o ‘Sou o que desejo’, a vontade de mostrar as mulheres em suas formas naturais se tornou ainda maior. “Sou o que desejo nasceu de uma vontade louca de dizer para você, mulher, se aceitar e se amar como é”, conta. “Quantas vezes você permitiu que os outros falassem para você como você deve ser? Por que você precisa aceitar um estereótipo de mulher perfeita que o mundo criou? Seja o que você deseja! Somos diferentes em alma, corpo, curvas e essência. Somos imperfeitas nas celulites, nas estrias e nas cicatrizes. Você já se olhou no espelho hoje? Não se amou por quê?”, questiona.

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Fonte: Isabela Mercuri