03/05/2017
As mudanças trazem consigo desafios, e isso nos incomoda
A mais nova polêmica, não só no Brasil, mas agora aqui, no nosso quintal, se trata da entrada ou não entrada do UBER. Por: Francisco das Chagas L. da Silva
Depois de tanto tempo sem escrever, e atônito diante de tanta coisa que acontece no nosso país, é tanta informação, que fazer um resumo de um apanhado de novidades parece missão impossível.

A mais nova polêmica, não só no Brasil, mas agora aqui, no nosso quintal, se trata da entrada ou não entrada do UBER. E para quem não sabe, Uber é uma empresa multinacional norte-americana, prestadora de serviços eletrônicos na área do transporte privado urbano e baseada em tecnologia disruptiva em rede, através de um aplicativo E-hailing que oferece um serviço semelhante ao táxi tradicional, conhecido popularmente como serviços de "carona remunerada".  Descrição esta, retirada da página do Google. 
    
Pois bem, o UBER começou suas atividades no Brasil em meados de 2015, iniciou em regiões metropolitanas como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, e hoje, abril de 2017 já são mais de 50.000 (cinquenta mil) motoristas em 27 cidades só aqui no Brasil. E é o tipo de serviço e opção, que o ser humano busca; Facilidade, comodidade, eficiência. Não que os serviços de Taxi não façam isso, ou não ofereçam isso, mas é uma opção a mais para o consumidor.
    
Lutar contra o UBER, é lutar contra o avanço do tempo, contra a modernização, contra a criação de novidades, de opções, de saídas alternativas. Acho absolutamente justa e ponderada a reclamação dos taxistas e demais trabalhadores contra o UBER, veja bem, sou a favor do direito de reclamar, não do mérito. Pois se compararmos hoje a qualidade dos serviços de ambos (taxis e UBER) sentimos uma colossal diferença no atendimento, nos preços, na comodidade, na eficiência. Permita que eu descreva, um pouco da experiencia, vivida a pouco tempo usando um UBER. 

O aplicativo funciona como uma central de atendimento que une um indivíduo que quer se locomover a um motorista registrado e avaliado, que segue alguns parâmetros estipulados pela empresa. É como uma carona paga, um motorista particular express. E não – não é igualzinho a um táxi. Os motoristas parceiros do Uber não ficam procurando passageiros pelas ruas ou aguardando nos pontos – são acionados pelo celular, através do aplicativo no qual o cliente deve se cadastrar, e pagos com cartão de crédito inscrito na plataforma (opção que, por si só, já deixa os taxistas que só recebem em dinheiro no chinelo). 

O argumento principal dos taxistas, é de que os mesmos são obrigados por lei a cumprirem uma série de exigências, impostos, taxas, licenças caríssimas e também a se submeterem a uma série de exames, adequações para aí sim, poderem ter o direito de funcionar. Enquanto o UBER não faz nada disso e estão ganhando a clientela. 

Diante dessa realidade incontestável dos fatos apresentados até aqui, me resta fazer a pergunta valendo um milhão;
Se o Estado cobra dos taxistas valores absurdos em taxas, licenças, alvarás, impostos, obrigando o taxista a repassar isso para a tabela e em sequência ao consumidor encarecendo o serviço, sem mencionar que o próprio Estado impõe uma série de parâmetros que dificultam e emperram as opções dos taxistas, por que estamos brigando contra o UBER e não contra a abusividade do Governo?

A resposta é simples, porque o UBER funciona. E funciona muito bem.

E isso faz com que não só os taxistas, mas também qualquer profissional que se sinta ameaçado pela concorrência, se obrigue a se virar nos 30, a se aprimorar, a melhorar, a buscar novos métodos para alcançar novos clientes, a se manter competitivo, a se reinventar. No UBER você combina um preço, contrata um motorista de carro de luxo que oferece a corrida pelo preço que você concorda em pagar, isto claro, de acordo com os níveis de qualidade do veículo, senta-se confortavelmente no banco de trás e atualiza sua rede social favorita usando o Wi-fi enquanto é contemplado pela brisa fresca do ar condicionado e toma água. E você nem precisa correr riscos por andar com dinheiro vivo na carteira, basta ter um celular com APP instalado.

O motivo deste serviço ser tão especial e funcionar tão bem, é o fato de o Estado, ou Governo mesmo, não se meter, inventando taxas, cobrando alvarás,  criando licenças, metendo o bedelho onde não lhe cabe, pois nós sabemos como o Estado é especialista em burocratizar, em tornar lento, em aleijar qualquer coisa que pôr a mão. 

Não é necessário que o serviço de taxi se acabe, como não é preciso que o UBER seja expulso de Porto Velho como se fosse a Peste Negra descendo de um navio ancorado no Rio Madeira. É absolutamente possível que ambos coexistam e se completem. A única coisa que deveria ser expulsa, abominada, seria a capacidade do Estado, de querer REGULAMENTAR tudo.  A história revela dezenas de casos onde o tempo e a sua modernidade chegaram, mas nem por isso os inventos do passado deixaram de existir. Os correios não deixaram de existir após a chegada da internet, bem como a Vela de cera deixou de ser usada com a chegada da energia elétrica. Isto é fato, vai acontecer, é questão de tempo, e contra o tempo somos incapazes de qualquer coisa.

Tudo isso, é causado pela mudança, ela nos incomoda, ela nos desafia.





Francisco das Chagas L. da Silva

Contabilista, Acadêmico de Direito na Faculdade FARO, Empresário Contábil com foco na Contabilidade Comercial do terceiro Setor, Líder comunitário e Diretor de Associação de Trabalhadores na educação ASTEEP.





 

Fonte: Francisco das Chagas L. da Silva